Foram apenas 18 meses de existência no mercado brasileiro. O Acomplia (rimonabanto) foi aprovado pela Anvisa no dia 26 de abril do ano passado.Lembro exatamente a primeira vez em que vi o rimonabanto na imprensa brasileira. Foi em dezembro de 2006, quando a revista Saúde deu a "pílula antibarriga" na capa (foto abaixo).
Indicado como adjuvante ao exercício e à dieta no tratamento da obesidade e do sobrepeso, o Acomplia combate especificamente a incômoda, amaldiçoada gordura abdominal, cada vez mais comum no dia-a-dia (exceto nas capas de revista).
O rimonabanto é, no jargão farmacêutico, uma "nova entidade molecular". Isto é, uma molécula com mecanismo de ação inédito e, neste caso, particularmente curioso. Ele age no sistema nervoso central, especificamente num tipo de receptor neuronal conhecido como CB1, o mesmo ao qual se liga o THC, o princípio ativo da maconha.
A diferença é que o THC estimula os receptores CB1 e o rimonabanto, os bloqueia. O resultado é um efeito "antilarica", ou seja, a redução do apetite. Isso ocorre no hipotálamo, região cerebral que regula o comportamento alimentar e é repleta de receptores CB1.Acontece que o hipotálamo está envolvido na regulação de uma série de outros comportamentos e dos estados de humor, sem falar que há receptores CB1 também em outras partes do cérebro.
Causa mortis
Então um efeito adverso que parecia insignificante nos estudos clínicos antes da aprovação revelou-se ameaçador no acompanhamento do produto no mercado (quando um número maior de pacientes é observado, e por um período mais longo). O medicamento dobrou o risco de depressão nas pessoas que o tomaram. Também houve casos de suicídio. Além disso, o efeito antiobesidade não se mostrou tão convincente em longo prazo.
A iniciativa de suspensão do Acomplia partiu do EMEA, o órgão que regula os medicamentos na União Européia, onde ele era comercializado desde junho de 2006. Nos Estados Unidos, o FDA rejeitou o pedido de registo do remédio em junho do ano passado, embora não seja difícil encontrá-lo à venda em sites americanos.













