Algo de errado andou ocorrendo nos últimos anos no departamento de literatura da Universidade da Califórnia em San Diego. Entre 2000 e 2006, oito funcionárias que trabalhavam num de seus edifícios, o Literature Building, foram diagnosticadas com câncer de mama, informa um relatório elaborado pelo epidemiologista Cedric Garland a pedido da universidade. Segundo Garland, esse número está acima do que seria esperado pelo acaso. As idades das mulheres quando diagnosticadas eram 35, 43, 47, 56, 58, 60, 60 e 62 anos.
O epidemiologista pesquisou possíveis causas ambientais. Não encontrou fungos e toxinas suspeitas. A qualidade da água é boa. Nada de isótopos radioativos, solventes e reagentes carcinogênicos, que até podem ser encontrados em vários laboratórios do campus, mas não ali no departamento de literatura. O passo seguinte foi investigar a configuração das instalações elétricas, particularmente nos pontos de alta tensão. Garland acabou deparando com um motor compressor que alimenta o elevador hidráulico do edifício e que está localizado numa pequena sala no andar térreo, o mesmo onde trabalhavam as funcionárias que adoeceram.Geralmente esse tipo de motor fica instalado num andar subterrâneo ou porão, mas esse edifício não foi projetado dessa forma. O campo eletromagnético gerado pela máquina e a que os funcionários do térreo estão expostos é de 2,5 miliGauss. Raríssimos países têm recomendações para limites de exposição a campos eletromagnéticos no ambiente de trabalho. Um deles é a Suécia. Lá, o máximo aceitável é 2,0 miliGauss.
Estudos sobre os efeitos de campos eletromagnéticos (CEM) na saúde humana são poucos e conflitantes, mas há alguns que sugerem uma relação com câncer de mama. Um deles, publicado no Biochemical and Biophysical Research Communications em 2005, mostra que culturas de células tumorais expostas a CEM de baixa intensidade são mais resistentes à ação do tamoxifeno, uma das principais drogas usadas no tratamento do câncer de mama.
O relatório de Garland foi entregue à direção do campus em junho do ano passado (só agora divulgado), com uma série de recomendações que vão desde esclarecimentos às funcionárias do prédio, para que saibam do possível risco a que estão expostas, até a mudança do motor para um local mais seguro.
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Neste momento o caso está sendo investigado pela epidemiologista Leeka Kheifets; sua avaliação é esperada ainda neste semestre, informa o site Microwave News. Mas já são várias as críticas à indicação de Kheifets para a tarefa, já que ela trabalha como colaboradora do Eletric Power Research Institute, uma instituição independente e sem fins lucrativos, mas financiada por grandes empresas do setor elétrico. Vamos ver no que vai dar.
Tudo isso lembra muito a história dos telefones celulares, e da suspeita de que eles podem causar câncer - um imbróglio fenomenal e que a cada ano fica mais complicado. Eu sou do time que ainda não está convencido de que a radiação eletromagnética não-ionizante emitida por essas maquininhas é absolutamente inócua. Creio que há razões suficientes (o caso de San Diego é mais uma) para pelo menos ficar com a pulga atrás da orelha. Volto ao assunto num próximo post.







